A trajetória de Warren Buffett, o Oráculo de Omaha

Zeca Bolonhez | 10/10/2018



Ganhar dinheiro no mercado de ações não é tarefa fácil. Se trata de um dos ambientes mais competitivos, no qual muitas pessoas destinam muito tempo, esforço e estudos para conseguir “bater” o mercado. Entretanto, apenas alguns poucos conseguem se destacar e fazer grandes fortunas, enquanto uma grande quantidade de investidores está, de fato, perdendo dinheiro. Em meio a esses destaques, temos Warren Buffett, o terceiro homem mais rico do mundo com uma fortuna avaliada em mais de 84 bilhões de dólares, o que lhe coloca, para muitos, como o maior investidor de todos os tempos.


O americano de 88 anos nasceu em Omaha, no estado de Nebraska, e desde cedo apresentou uma disposição para o mercado financeiro, tendo comprado sua primeira ação aos 11 anos de idade. Ainda jovem, Buffett se envolveu em diversos negócios, era dono de 6 máquinas de fliperama que emprestava para estabelecimentos e lhe rendiam 50 dólares por semana. Depois de se formar em economia pela Universidade de Nebraska, ingressou na Columbia Business School, onde conheceu Benjamin Graham, o pai da análise fundamentalista e autor do célebre livro “O Investidor Inteligente”. Foi com Graham que ele aprendeu sobre o valor intrínseco das empresas e como melhor avalia-las, o chamado value investing, estratégia que guiou Buffett ao longo dos anos.


No ano de 1956, Buffett fundou seu próprio fundo de investimento, o Buffett Associates, que em apenas 8 anos cresceu seu patrimônio de 105 mil dólares para 7,2 milhões – um crescimento de mais de 6.800%. Em 1962, baseando-se na análise fundamentalista, o fundo começa a comprar ações da Berkshire Hathaway, empresa do setor têxtil, e posteriormente passa a ter controle da companhia, da qual Buffett se torna diretor. Uma vez no cargo, ele fecha seu primeiro fundo e expande as áreas de atuação da Berkshire, que passa a investir em diversos setores. Entre os principais aportes feitos estão as empresas, Apple, American Airlines, American Express, Coca-Cola e os bancos Walls Fargo e Goldman Sachs, nas quais possuíam participações relevantes. Buffett dizia que era melhor comprar empresas fantásticas por preços regulares, que empresas regulares por preços fantásticos, ou seja, ele comprava ações de boas empresas que estavam sendo negociadas abaixo de seu valor intrínseco, o que explica os investimentos nessas grandes firmas que se destacavam por vantagens competitivas. Em muitas ocasiões, também, comprava-se companhias inteiras, exercendo um maior controle e direcionando o seu rumo. As análises do já consolidado investidor eram balizadas, principalmente, por três aspectos: a simplicidade do negócio, isto é, se é facilmente compreendido; um histórico operacional consistente, ou seja, atividades eficientes; e por fim, panoramas futuros favoráveis, ou melhor dizendo, as expectativas e oportunidades de crescimento.


Para ilustrar melhor a estratégia citada acima, pode-se citar como exemplo os investimentos no Bank of America. Em 2011, após uma desvalorização considerável das ações do banco, Buffett julgou que o preço cotado em bolsa estava abaixo de seu preço “justo” e começou a comprar os papéis da empresa. Mesmo com as inovações tecnológicas no ramo, a atividade bancária, principalmente direcionada ao varejo, ainda é um negócio tradicional e relativamente fácil de se entender, com bastante espaço para seguir crescendo. Além disso, ele considerou a excelente habilidade dos gestores, incluindo o CEO, para tomar tal decisão de investimento. A confiança no plano e os resultados apresentados fizeram com que em 2017, a Berkshire aumentasse sua participação no Bank of America e se tornasse a maior acionista do banco.


Apesar de ter alcançado o posto de homem mais rico do mundo em 2008, Buffett sempre se mostrou muito humilde, vivendo até hoje na mesma casa que comprou em 1958. Em 2006, ele se comprometeu a doar cerca de 85% de sua fortuna para a caridade e quatro anos depois, com Bill Gates, funda a “Giving Pledge”, uma campanha que busca convencer bilionários a doar parte da sua fortuna para causas filantrópicas. Até 2018, já foram mais de 180 signatários e 360 bilhões de dólares doados.


O CEO da Berkshire alcançou grande sucesso ao longo de toda sua vida e além de uma fortuna invejável, Buffett ganhou um imenso respeito e admiração de toda comunidade financeira, tendo conquistado a alcunha de “Oráculo de Omaha”. A contribuição de Buffett para a ciência de análises de empresas é enorme, e apesar de ter sido pupilo de Graham, Buffett desenvolveu um estilo próprio de investimento que se mostrou extremamente rentável. Suas estratégias são amplamente respeitadas e até hoje, muitos tentam replicá-las. Por fim, vale destacar uma frase emblemática – praticamente um mantra – pregado pelo Oráculo de Omaha: “A regra número 1 é nunca perder dinheiro, a regra número 2 é nunca esquecer a regra número 1”.