Análise Técnica VS Análise Fundamentalista

Atualizado: Jan 25

Omar Ghazi & João Alberto Pedroso 26/07/2018

É comum ouvir, dentro dos inúmeros jargões do mercado financeiro, duas palavras utilizadas para classificar diferentes tipos de profissionais: grafistas e fundamentalistas. A divisão origina-se, primordialmente, da existência de duas, dentre outras, principais correntes dentro deste ambiente, a Análise Fundamentalista e a Análise Técnica. Independentemente do método de análise, um bom analista deve levar consigo uma frase, de Charles Dow, pai das teorias gráficas: “O orgulho de mudar uma opinião foi responsável pela ruína de mais homens em Wall Street do que qualquer outro fator”.


Em primeiro lugar, é essencial entender o racional por trás de uma análise, seja ela de qualquer uma das correntes. Com o mercado subindo e descendo naturalmente, é intuitivo que as pessoas procurem se aproveitar desses movimentos estando do lado certo da onda, ou seja, que as pessoas façam análises a fim de determinar se o preço de certo ativo tenderá a subir, descer ou até mesmo se manter constante.


Grande maioria dentre as diferentes instituições, a análise fundamentalista adota, em sua essência, a busca por um preço justo como objetivo principal. Ao focar nos fundamentos da empresa e em expectativas sobre o futuro dos mesmos, esses analistas procuram entender a fundo a dinâmica interna da empresa e de seu setor, somado aos diversos aspectos externos que possam influenciar essa análise, objetivando criar uma hipótese consistente. As ferramentas de Valuation (procura de um preço justo) são extremamente utilizadas para quantificar as apostas, sejam elas provindas dos modelos de projeção dos Fluxos de Caixas futuros de tal ativo, sejam por meio da análise dos múltiplos do mesmo (aqui, a análise de múltiplos se refere ao exercício de trazer diferentes empresas para bases comparáveis, trabalhando com razões, como Preço / Lucro – P/L – no lugar de números brutos). A partir desse resultado, os analistas conseguem identificar se as ações estão sobre ou subvalorizadas pelo mercado e, assim, decidem tomar uma posição ou não em determinado papel. Usualmente, os fundamentalistas não focam no curto prazo, ou seja, veem seus papéis oscilarem com acontecimentos momentâneos e confiam na análise de prazo maior.


Contudo, alguns profissionais aproveitam essas ondas momentâneas para fazer e aplicar suas análises: os traders. Para quem desconhece o termo, ele faz referência ao investidor do mercado financeiro que busca ganhar dinheiro com operações de curto prazo, aproveitando-se da oscilação do mercado. Muitas vezes conhecidos como “day traders”, fazendo referência ao horizonte de prazo das análises, esses investidores procuram utilizar a análise dos gráficos de um ativo para se posicionar do lado certo e auferir ganhos em curtos momentos, movimentando grande parte das operações do dia a dia da bolsa. Assim, analisar os fundamentos e notícias pode não ser relevante e muito menos prático. Desse modo, a análise técnica busca explorar e explicar essas movimentações de curto prazo, que podem diferir da esperada pelo método fundamentalista. Entendido isso, podemos passar para a pergunta que fica, o que é análise técnica ou análise gráfica?


Análise técnica é o estudo da ação do mercado, por meio de uso de gráficos, com o objetivo de antecipar os movimentos futuros dos preços. Os analistas técnicos atuam, sobre algumas premissas básicas, tais como:

· As pessoas agem e reagem de maneira previsível.

· Investidores são racionais e emocionais ao mesmo tempo.

· Pessoas imperfeitas, não modelos perfeitos, determinam o valor presente das ações.


De forma complementar a essas premissas, a maioria dos grafistas norteia sua análise baseada em 3 pilares fundamentais:


1. O gráfico desconta tudo.

As diversas variáveis fundamentais, psicológicas, políticas ou de qualquer outra ordem já estão na realidade embutidas nos preços de mercado.


2. Os preços movem-se em tendência.

A finalidade de representar os preços das ações em um gráfico é identificar tendências futuras por meio de teorias formuladas sobre sua dinâmica e, assim, tirar proveito dessas tendências para obter de lucro.


3. A história se repete.

Os preços refletem variáveis psicológicas naturais do ser humano. Os padrões psicológicos do ser humano tendem a se modificar de forma muito lenta ao longo do tempo, quase que de forma estática. Desse modo, analisar o passado é também uma forma de prever comportamentos humanos viciados e já existentes que possivelmente tornarão a repetir-se no futuro.


Apesar de ser amplamente utilizada, diversas críticas podem ser relacionadas à análise técnica, sendo a mais comum delas a afirmação de que, se todo mundo conhecesse os padrões gráficos e o passado, a análise se tornaria uma profecia autorrealizável. Entretanto, vale destacar que os padrões gráficos raramente são tão claro a ponto de serem interpretados igualmente por diferentes profissionais.


Não obstante, é imperativo mencionar que, na grande maioria das vezes, as análises são excludentes. Um dos grandes motivos é a agilidade de negociação que envolve a análise técnica - por exemplo, quem tem interesse em estratégias “day trade”, compra e venda de ativo em um mesmo dia, não tem necessidade de analisar fundamentos. Em contrapartida, vimos que uma análise pode complementar a outra, sobretudo no que diz respeito ao timing da operação desejada.


Dado o exposto, nenhuma das duas escolas têm capacidade para responder a todas as perguntas. A fundamentalista, por se basear em premissas sobre o futuro das companhias e a técnica, por acreditar que os gráficos têm todas as respostas, muitas vezes se esquecem da principal característica do mercado financeiro: a imprevisibilidade.