Calls e Puts: Entenda o mercado de opções

Atualizado: 30 de Nov de 2018


Cláudio Júnior | 20/09/2018

As opções são um tipo derivativo, onde os valores derivam do ativo em questão. Existem várias histórias relacionadas ao surgimento do mercado de opções. Contudo, a primeira documentada ocorreu no século XVII na Holanda.


As opções negociadas eram de tulipas. Símbolo da aristocracia holandesa, eram extremamente valorizadas na época e possuíam grande valor comercial. Essas opções asseguravam ao comprador garantir, por um preço fixo e pré-determinado, uma certa quantidade de tulipas em um determinado dia, sendo feito isso através de um acordo. Nessa transação, o comprador garantia o direito, mas não o dever, de comprar a quantidade de tulipas em um determinado período, a um preço fixo. A estratégia que, inicialmente, surgiu como proteção contra oscilações do preço, logo passou a ser usada de forma especulativa. Esses tipos de acordos são as opções.


A opção é um instrumento financeiro que dá a seu adquirente, ou seja, quem adquire a opção (titular) um direito futuro sobre algo, mas não uma obrigação. Além disso, em contrapartida, dá a seu vendedor (lançador), uma obrigação futura, caso o comprador queira exercer o seu direito.

Por assumir tal dever, o vendedor recebe um prêmio, ou seja, uma recompensa por garantir ao titular o direito de compra de determinada opção, com preço e quantidade pré-fixados. Essa é uma definição importante para tender o mercado de opções. A partir dela, pode-se encontrar uma distinção entre esse mercado, o mercado futuro, e a termo. No contrato a termo, por exemplo, as duas partes têm a obrigação de exercer o que for acordado.


No Brasil, em 1979, quando começou a se difundir a modalidade, as opções de compra eram cobertas, ou seja, para vender uma opção, você precisava fazer o depósito do ativo-objeto na bolsa de valores. Mais tarde, permitiu-se o lançamento de opções de compra a descoberto, isto é, a opção de compra sem o deposito do ativo-objeto, mas com uma margem de garantia. Atualmente, não são negociados os produtos em si, mas sim, o direito sobre eles; esses podem ser, por exemplo, ações, índices, juros, entre outros.


Para entender essa forma de operação, é essencial compreender que existe a distinção entre direito e obrigação.


No mercado de opções, o contrato fornece o direito de comprar ou vender um número prefixado de unidades de um ativo, a um preço fixo (strike), sendo essa compra realizada até a sua data de vencimento ou em sua vigência. O preço da opção, portanto, é um prêmio pago por adquirir um direito sobre ela.


Nesse meio, existem dois principais tipos de opções: As opções americanas e opções europeias. Nas opções americanas, o titular, caso queira, pode exercer o direito até a data de exercício, podendo ser exercido durante o período de vigência. Já nas opções europeias, o titular só terá o direito de exercer a opção no dia do vencimento, não podendo fazê-lo antes dessa data.


Nas opções, os titulares têm direito de comprar, conhecida como call, ou então vender, chamada de put. Para tonar a explicação mais prática, vamos a um exemplo de compra de uma call.


Suponha que as ações da Petrobrás estejam sendo cotadas a R$23,00, e a opção custe R$0,30. Nesse exemplo hipotético, imagine que você comprou 1000 opções, ou seja, pagou um prêmio de R$300,00.

Passado algum tempo, chega a data de exercício. Nela, você percebe que as ações da Petrobrás agora estão valendo R$25,50. Nesse caso, como o preço do ativo à vista é maior que o strike (preço de exercício), você exercerá seu direito pela opção. Tendo feito, você pagará R$23,00 no strike por uma ação que custa R$25,50. Como foram compradas 1000 opções, o cálculo da sua rentabilidade será feito da seguinte forma:

1000 x R$2,50 (diferença entre o valor atual e o preço que você pagou pela ação) = R$2500,00


A rentabilidade bruta foi de R$2500,00. Para saber a líquida, é necessário subtrair o valor pago pela opção, que no caso foi R$300,00. Desprezando a taxa de corretagem, o lucro líquido seria de R$2200,00. Logo, percebe-se que a rentabilidade foi mais de 700% em uma única operação.


Os retornos nesse caso seriam altos, contudo, é necessário ficar atento. Se em vez de R25,50, as ações à vista estivessem custando R$22,00, o titular não iria exercer o direito de compra, uma vez que, que no mercado à vista, as ações estão sendo negociadas a um valor menor do que o acordado. Nessa situação, você teria perdido os R$300,00 pagos pela opção. No jargão de mercado, diz-se que a opção “virou pó”.


É importante lembrar que, em uma call, o titular sempre pagará o prêmio, que é o preço da opção, como se fosse um custo fixo. O comprador só pagará o strike para adquirir a opção caso deseje exercer seu direito de compra.


Um diferencial no mercado de opções é o fato de o prêmio de risco ser pré-definido. Esse ponto é crucial para o investidor, tendo em vista que é um limitador de perdas, uma vez que o valor máximo que se pode perder já é sabido ao realizar a operação.


Mas o que define o valor do prêmio de risco?


Existem cinco principais variáveis que fazem variar o prêmio, são elas: taxa de juros livre de risco (Selic), volatilidade, preço de mercado do ativo, tempo restante para o exercício das opções, além da expectativa de valorização ou desvalorização do ativo-objeto.

As opções, como já visto, permitem obter retornos fora do comum.


No mercado de capitais, tendo em vista a possibilidade de alta rentabilidade, o mercado de opções é comumente utilizado para especulação. Especular é operar com a crença de que determinado ativo vai valorizar ou desvalorizar e, com isso, o trader visa auferir lucro nesse spread dos preços.


As opções também são usadas como hedges. Nessa modalidade, os investidores buscam proteção, onde o objetivo é mitigar a exposição às oscilações do mercado. Esse tipo de estratégia é usualmente utilizado no mercado de commodities.


Suponha que a saca de soja custe 70 reais. O produtor, não sabendo quanto valerá a saca no futuro, compra uma opção de venda (uma put), ou seja, o direito de vender o contrato no preço acordado. A intenção nesse caso é se proteger do risco de mercado, uma vez que, no futuro, o valor da saca pode ser muito menor do que é negociado no momento e, caso haja a desvalorização, este produtor diminuiria sua margem de rentabilidade. Nesse caso, o titular não almejou auferir lucro na operação, mas sim, se proteger contra oscilações do mercado.


Chegando nesse ponto, é impossível falar de opções sem citar os modelos de precificação, afinal, são amplamente utilizados nesse mercado.


Para o cálculo do valor das opções existem os modelos de precificação de opções reais. Esses modelos têm por objetivo encontrar o valor justo das opções, levando em consideração todas as variáveis já citadas. Entre os mais conhecidos e utilizados, estão os de Black & Scholes, o qual rendeu aos seus criadores, Fisher Black e Myron Scholes, um prêmio Nobel em 1997. Além desse, o Modelo Binomial é outro bem conhecido no mercado de opções.


A possibilidade de altos retornos torna o mercado muito atrativo. Porém, normalmente, quanto mais atrativa a operação, maior é o risco.

O ideal é que cada investidor tenha em mente o nível de risco aceitável, para que, com isso, ele possa operar de forma racional, mensurando a razão risco/retorno, e assim, diminua a probabilidade de uma perda inesperada.

Com isso, pode-se perceber que, quanto maiores os riscos tomados, maior é a necessidade de entender o funcionamento de toda estrutura do mercado de opções. Para tal, é necessário muito estudo e prática. Caso contrário, as chances de insucesso são grandes. E, como diria Jorge Paulo Lemann “Sempre acreditei que o bom investidor não é o que foge do risco, mas o que sabe arriscar na hora certa”.