Commodities: o que são e quais são seus impactos na economia brasileira?

Atualizado: Jan 25

Frederico Perlott 10/08/2018

Entender alguns setores da economia é de interesse da sociedade como um todo, ainda mais quando estes setores são de grande relevância para o desenvolvimento do país. Deste modo, ao assistir noticiários, ler jornais e outras mídias, é comum nos depararmos com termos e conceitos econômicos que não são tão intuitivos de se entender à primeira vista.


Dentre estes, muito se ouve falar em relação à commodities, não só nos noticiários, mas até mesmo em livros, ou professores falando em sala de aula. Mas afinal, do que se trata esse termo?


As commodities são produtos de origem primária, de baixo ou nenhum nível de industrialização e, em certos casos, podem ser estocados com facilidade. Esses produtos são extraídos ou produzidos em grande escala, além de poderem ser armazenados por um longo período sem que haja perda relevante de qualidade.


Como são produtos advindos da natureza, cada tipo de região é mais propenso à existência de um tipo de commodity. Fatores climáticos e geológicos são determinantes para existência desses produtos. A grande diversidade natural ao longo do mundo e os diferentes níveis de especialização tecnológica/econômica entre os países, incentivam o comércio internacional dessas mercadorias.


É comum separarmos as commodities brasileiras em três categorias:


• Agrícolas: bens que são originados do mercado agropecuário (soja, trigo, arroz, milho, café…)

• Recursos naturais: bens extraídos da natureza (ouro, petróleo, minério, etanol, gás natura…)

• Pecuária: boi gordo


A Bolsa de Valores possui papel fundamental na intermediação dessas transações, facilitando e estruturando esse mercado


No mercado financeiro, as commodities são uns dos fatores mais importantes, tendo seu preço definido pela oferta e demanda global. O investimento nesse tipo de mercado é, muitas vezes, realizado através de mercado futuro, objetivando que tanto produtores e compradores fiquem “protegidos" às constantes oscilações do mercado.


Isso acontece da seguinte maneira:

1)O comprador ou vendedor decide comprar ou vender a commodity em uma data futura


2) É então feito um contrato futuro, onde o mesmo possui uma data de vencimento, e quando tal contrato é feito, é realizado um pagamento como forma de garantia, para eventuais danos. Feito o contrato, o preço utilizado é aquele definido no contrato, independente do preço presente do produto: se o trigo está sendo negociado a R$150,00 em abril, e o preço futuro acordado para abril é de R$ 100,00, o valor a ser pago pelo comprador é de R$100,00.


Portanto, o preço do produto será o mesmo de quando o contrato foi feito, independente das oscilações do mercado, podendo privilegiar ora o vendedor ora o consumidor. Nesse sentido, os contratos são negociados na Bolsa, com os agentes tentando antecipar o comportamento dos preços para solidificarem uma posição que aposte em um dos lados.


Dentro do cenário global, o Brasil é um grande player no mercado de commodities, tento um vasto território que possibilita a exploração de inúmeros recursos. Algumas das maiores commodities exportadas pelo Brasil são o minério de ferro, café, alumínio, boi gordo e soja. As maiores e mais famosas empresas brasileiras são, em sua maioria, exportadoras de commodities, como a Vale, que em 2015 exportou um total de US$ 11,25 bilhões e uma participação na balança comercial de 5,89%. Outras grandes empresas do setor que atuam no mercado brasileiro são: Petrobras, JBS, BRF e Samarco.


Sendo um país que a economia possui certa dependência da exportação de bens, o Brasil acaba ficando exposto ao mercado internacional, tendo em vista que os preços das commodities são definidos pela oferta e demanda internacionais, ou seja, se houver algum tipo de crise global, o país certamente será prejudicado por conta da queda dos preços. Por outro lado, se o comércio internacional estiver em alta, a demanda será alta, elevando os preços em geral e fazendo com que os produtores possam se beneficiar, consequentemente beneficiando a economia como um todo.


A instabilidade internacional vem cada vez mais sendo discutida, ganhando força ao longo de 2018 com as tensões entre Estados Unidos e China. O protecionismo de Trump em resposta aos supostos abusos chineses afeta em cheio o mercado de commodities, já que ambos são grandes players desse mercado. A política de isolação comercial afeta também o Brasil, explicitada principalmente pela taxação de aço e alumínio brasileiros, causando volatilidade e intensificando a atividade no mercado futuro brasileiro.