As siglas do Mercado

Atualizado: Jan 25

Frederico Coelho | 21/06/2018


Todos os negócios apresentam suas barreiras de entrada. No ramo de energia, por exemplo, construir uma usina nuclear só pode ser feito por aqueles que tenham acesso a uma grande quantidade de capital. Paralelamente, o mundo dos investimentos também apresenta seus grandes entraves, não necessariamente em termos financeiros, mas sim no campo do conhecimento técnico. É comum ouvir que certo CDB renderá uma taxa de 100% do CDI ou que um determinado título oferece IPCA + uma taxa pré-fixada. Muitas vezes, a enormidade de nomes, siglas e conceitos envolvidos acaba produzindo uma escolha enviesada de investimentos podendo causar, consequentemente, um impacto monetário negativo no futuro de muitas famílias. Para isso, exploraremos os principais e mais comuns conceitos abordados no mundo dos investimentos, tentando explicá-los de maneira simples e intuitiva.


Em primeiro lugar, começaremos pelo básico, literalmente. A taxa básica de juros da economia brasileira é denominada SELIC (Sistema Especial de Liquidação e Custódia) e é definida a cada 45 dias pelo COPOM (Comitê de Política Monetária) do Banco Central. A SELIC é utilizada como instrumento de controle da inflação, a medida que, simplificadamente, juros mais altos levam a população a consumir menos e a poupar mais, freando a pressão sobre os preços. Aqui, vale lembrar que a inflação deve ser entendida como o aumento de preços de uma cesta de produtos ao longo do tempo e que o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor) é um dos índices oficiais para medi-la, contudo não entraremos no mérito de seus fatores geradores nem em discussões mais aprofundadas. Além disso, a SELIC é utilizada como taxa de referência, servindo assim como referência para todas as outras taxas da economia e como indexador de investimentos.


Outra sigla frequentemente encontrada pelos novos investidores é “CDI” (Certificado de Depósito Interbancário) e, para entender seu significado, devemos saber o mínimo sobre como os bancos ganham dinheiro. De maneira geral, os bancos geram seus lucros captando dinheiro a taxas baixas e emprestando a mais altas, ganhando justamente nessa diferença. Para garantir a saúde financeira das instituições e do próprio país, o Banco Central obriga os bancos a fecharem o dia com o saldo entre saques e depósitos positivo, ou seja, um banco que tenha esse saldo negativo, ao final do dia, é obrigado a pedir empréstimos para reverter o mesmo. Assim, os bancos emprestam dinheiro entre si, cobrando a taxa conhecida como CDI – lembrem-se da palavra interbancário. Na prática, o CDI é muito próximo da SELIC, uma vez que, se fosse maior ou igual a mesma, os bancos poderiam simplesmente recorrer ao Tesouro Nacional para realizar os mesmos empréstimos com riscos muito menores.


Paralelamente, o CDB (Certificado de Depósito Bancário), “primo” do CDI, é a taxa que o banco paga ao investidor para que ele deixe o seu dinheiro na instituição. O CDB é um tipo de investimento em renda fixa que pode remunerar o investidor de três maneiras diferentes:


  1. Pré-fixado: durante a validade do produto, renderá sempre aquela mesma taxa pré-acordada, geralmente expressa em termos anuais. É considerado mais perigoso, pois, ao fixar uma taxa, o investidor fica refém da movimentação dos juros. Exemplo: CDB Pré-Fixado 8,30% A.A Banco Pactual S/A com prazo de 12 meses – o contratante fixa a taxa de 8,30% ao longo do período (12 meses) e já sabe quanto irá ganhar ao vencimento. Entretanto, se a taxa de juros subir para um valor maior que 8,3%, deixará de ganhar o dinheiro.

  2. Pós-fixado: aparece, normalmente, expresso em termos do CDI ou atrelado à taxa SELIC. Apesar de não saber exatamente a quantia que será possuída ao final do prazo, a taxa em % do CDI é conhecida no momento da assinatura do contrato. É considerado um investimento mais conservador, por não apresentar o mesmo risco de variação do pré-fixado.Exemplo: CDB 109% DO CDI Banco BMG 24 meses – você não sabe quanto terá exatamente ao final de 24 meses, mas tem certeza que ganhará sempre 109% da taxa CDI.

  3. Híbrido: o investidor obtém parte da rentabilidade prefixada e parte pós-fixada. Exemplo: CDB Pine IPCA + 6,3% - que significa que você sempre ganhará a variação do IPCA (ainda desconhecida) e uma taxa fixa de 6,3%.

É, portanto, imperativo entender os conceitos por trás das simples siglas que o mercado apresenta a fim de furar a barreira de conhecimento e permitir que seu dinheiro renda de maneira eficiente. É importante destacar que investimentos como o CDB são protegidos pelo FGC (Fundo Garantidora de Crédito) em uma quantia de até 250 mil por CPF e instituição financeira, ou seja, caso o banco emissor do produto quebre, você não perderá o investimento realizado até esse valor.